Hölderlin

Friedrich Hölderlin aniversaria, isto é, nasce, renasce este mês. Estamos adiantados, é verdade. Mas, para não deixar o blog sem atualizações e lembrar esta data que virá – 20 de março (de 1770) – deixo aqui as duas traduções que fiz de poemas deste e um poema que fiz para Hölderlin.

Hölderlin foi negligenciado durante anos, e mesmo por seus contemporâneos (dentre os quais Schelling, Schiller, Voss…): suas traduções do grego foram motivo de piada, e isto  ficou registrado em carta. Schelling, por exemplo, escreve a Hegel: “A versão [de Hölderlin] de Sófocles demonstra cabalmente que se trata de um caso perdido”. Somente a contemporaneidade, em sua reavaliação dos princípios de tradução (a desconfiança da possibilidade de uma “tradução fiel” e, por conta disso, uma proliferação de reflexões acerca do tema), reabilitou as traduções de Hölderlin. O mesmo se passa, quer me parecer, com seus poemas: visto com reservas, sobretudo em relação às obras fragmentárias de seu período da loucura, Hölderlin não teve a mesma aceitação canônica que contemporâneos seus, como Goethe e Schiller. Me faltariam fontes de apoio, mas tenho a impressão de que é a partir do fim do século XIX que sua obra poética passa a ser encarada como grande, tão grande quanto a dos maiores poetas alemães. Basta ver o acolhimento entusiasmado que filósofos como Nietzsche e Heidegger fazem à sua obra.

Sem mais a dizer, passo às traduções:

A Diotima

Bela vida! tu vives, como as ternas flores no inverno,
No envelhecido mundo vives secretamente só.
Amável almejas além, a ti ao sol, na luz da primavera
A aquecer; nela buscas a juventude do mundo.
Teu sol, o belo tempo é ocaso
E na gélida noite urra-se apenas o furacão.

tradução: Rafael Lemos

An Diotima

Schönes Leben! du lebst, wie die zarten Blüten im Winter,
In der gealterten Welt blühst du verschlossen, allein.
Liebend strebst du hinaus, dich zu sonnen am Lichte des Frühlings,
Zu erwarmen an ihr, suchst du die Jugend der Welt.
Deine Sonne, die schönere Zeit, ist untergegengen
Und in frostiger Nacht zanken Orkane sich nun.

Aos jovens poetas 

Amados irmãos!, madura talvez nossa arte esteja
Pois, qual jovem não seja, longe vai seu fermento,
Rumo ao repouso da Beleza;
Sê apenas devotos, como o grego o foi.

Amai os deuses e pensai amigos aos mortais!
Repeli arroubo e frio! Nada ensinai ou descrevei!
Quando o Mestre os amedrontar,
Pedi à grande Natureza um conselho!

tradução: Rafael Lemos

An die jungen Dichter

Lieben Brüder! es reift unsere Kunst vielleicht,
Da, dem Jünglinge gleich, lange sie schon gegärt,
Bald zur Stille der Schönheit;
Seid nur fromm, wie der Grieche war!

Liebt die Götter und denkt freundlich der Sterblichen!
Haßt den Rausch, wie den Frost! lehrt, und beschreibet nicht!
Wenn der Meister euch ängstigt,
Fragt die große Natur um Rat.

Abaixo, “Antígone/Hölderlin, o poema que fiz como homenagem à Hölderlin e sua tradução:

Hölderlin Antígone POEMA.jpg

 

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