Tradução da semana: “Quem dominará o universo?” e “Guru”, de Allen Ginsberg

O nome de Allen Ginsberg dispensa apresentações. Com uma poética de alto nível e temática diversa desde os anos 50 – no olho do furacão da Beat Generation – e uma trajetória de ativismo político igualmente marcante, falar da importância da obra de Ginsberg na poesia do século XX parecerá sempre uma espécie de redundância. Da mesma forma, dizer que em seus poemas surgem referências à sua própria vida ou que sua atividade política transborda para a sua poesia e vice-versa não seria nada de novo. Se é impossível evitar a redundância, apresento as traduções e na quarta, dia de resenha, trago comentários sobre a poética de Allen Ginsberg.

Antes, resta apenas dizer que Quem dominará o universo? traz as notas de Fernanda Pivano, que estão em Mantra del Re di Maggio, edição Mondadori, 1973. Guru foi recriada livremente, mantendo o máximo possível o número de sílabas e o ritmo dos versos, mas em outra forma. Peço desde já desculpas.

Quem dominará o universo?
Uma amarga noite fria de inverno
conspiradores nas mesas do café
                        discutindo prisões místicas
A Revolução na América
            já começou não bombas, mas greves
                        assentamentos no topo de submarinos
            em ruas próximas à Prefeitura –
Quantas famílias controlam os Estados?
            Ignorem o Governo,
                        enviem seu protesto para Clint Murchison.
Os Índios venceram a causa com o Juiz McFate
                                          Peiote seguro no Arizona –
            Em meu quarto um junky enjoado
                                                   treme no 7° dia
                                           Choroso, renascido ao Inverno
Che Guevara tem um puta pau
                                                    as bolas de Castro são rosa –
O Fantasma de John F. Dulles paira
                                           sobre a América feito linho sujo
             posto sobre o rubro ocaso invernal,
             Fumos de Gás Inconsciente
                                           emanam de seu cadáver
                        & hipnotizam os intelectuais Egípcios –
Ele range os dentes em horror & cruza seus
                                           fêmures sobre o crânio
             Sopra poeira de seu cu
                        suas mãos estão cheias de bactéria
                                           O verme está em seu olho –
             Ele está declarando contrarrevoluções no
                                                                  Mundo-verme,
                        meu gato vomitou-o na última
                                                                           Quinta.
& Forrestal voou de sua janela feito uma Águia –
América está gastando dinheiro para derrubar o Homem
                                              Quem são os soberanos da terra?
6 de Janeiro de 1961.
Notas (Fernanda Pivano):
Clint Murchison: um dos seis milhardários que controlam os EUA através do petróleo do Texas.
Juiz McFate: juiz que nos anos 40 declarou legal o peiote no Arizona.
John Forster Dulles: secretário do Estado de Eisenhower. Figura crucial da Guerra Fria, patrocinou uma política agressiva contra o Comunismo no mundo, reforçando tratados internacionais neste sentido. Advogou pelo apoio dos EUA à França na guerra da Indochina, contra a Liga pela Independência do Vietnam (1946-1954). [esta nota não é de Fernanda Pivano]
James Forrestal:  um dos secretários de Defesa que nos anos 50 se mata atirando-se pela janela de um hospital de Washington, perturbado pela idéia de que os russos estariam invadindo a América do Norte.

Tradução: Rafael Lemos

 

GURU
A lua é que desaparece
E as estrelas que se escondem, não eu
É a Cidade que esvai, Eu fico
calçados esquecidos,
de calções invisíveis
O som um sino que chama
 Tradução: Rafael Lemos
A original:
GURU
It is the moon that disappears
It is the stars that hide, not I
It’s the City that vanishes, I stay
with my forgotten shoes,
my invisible stocking
It is the call of a bell
Primrose Hill May ‘65
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